quarta-feira, 16 de maio de 2012

The 80s - The Girl Pop Movement

Ao longo dos próximos tempos, ofereço o meu top daquela que permanece a minha década favorita para a música (e não só). Não é por acaso que os 80s são ainda hoje fonte de inspiração. Não conseguindo arrumar bem um top 100 decidi dividir a coisa por blocos. Começando então pelas senhoras, e pela pop maravilhosa que conseguiram criar. Eis as minhas 13 músicas "pop" favoritas interpretadas por mulheres (excluo aqui para já grupos "mistos" com mulheres vocalistas e artistas que ache que não se enquadrem no género pop - mesmo nos 80s...):


The Go-Gos - Our Lips Are Sealed



Madonna - Like a Prayer



Kate Bush - Running Up That Hill



Kim Wilde - Kids in America



Cyndi Lauper - Time After Time



Pat Benatar - Love is a Battlefield



Donna Summer - State of Independence



Laura Branigan - Self Control



Janet Jackson - Escapade



Neneh Cherry - Manchild



Chaka Khan - I Feel For You





The Bangles - Walk Like an Egyptian



Stevie Nicks - Edge of Seventeen




terça-feira, 15 de maio de 2012

Sobre "Bloom"





Existem dois tipos de artistas:
a) Artistas chamados "camaleão", que se transformam álbum a álbum, explorando novos sons à medida que vão construindo a sua carreira (PJ Harvey, David Bowie, ...);
b) Artistas que se colam desde cedo a um som ou movimento.

Geralmente, a crítica musical possui um chavão que diz claramente preferir artistas do tipo A, obscuros ou não tão obscuros (os dois exemplos acima citados são prova disso). E digo geralmente, porque de vez em quando existe um lapso de lógica, e a mesma crítica que deita abaixo certos artistas por se repetirem, aplaude no minuto seguinte outros artistas por explorarem o mesmo som até à exaustão...


Atenção: não vou com isto pedir à classe jornalística a coerência que eu próprio muitas vezes não possuo. Até porque, na minha óptica, a música (e a arte no geral) deverá ser o último sítio para se pedir alguma lógica, chavões aparte. A música é para se ser sentida. A música é pessoal. Tem sempre uma história por detrás de determinada canção ou artista para contar... E todos nós temos as nossas "discriminações" pessoais com artistas, convenha-se. É humano. 


O que se passa é que em "Bloom", quarto álbum de Beach House (uma das minhas novas bandas favoritas dos últimos anos, saliente-se!), o sentimento encontra-se muito... abafado. 


Acho que todos conseguimos admitir, ao fim de quatro álbuns, que os Beach House são uma banda do tipo B. Nada de mal com isso, diria eu. Afinal, há quem possa argumentar que algumas das melhores bandas da história da música pop-rock o foram (Cocteau Twins, Siouxsie and the Banshees, etc.) - bandas que em muitos casos estiveram na base da invenção do seu som! O problema é quando à repetição não se acrescenta minimamente nada. Zero. E "Bloom" infelizmente padece desse mal de ser uma cópia chapada e deslavada do predecessor "Teen Dream" e de um outro ainda pior - falta-lhe momentos que se destaquem no ouvido, o que nunca, nem mesmo nos seus últimos álbuns, faltou à banda escocesa liderada por Liz Fraser, convenha-se. É tudo muito linear. E se a dupla Victoria Legrand e Alex Scally continua a fazer música "bela", agora está a fazer a música que os seus detractores sempre os acusaram:  indutora de estados narcolépticos - o que os seus apoiantes agora apelidam de "subtil". 


"Dream pop"? Sem dúvida. Mas desta vez o sonho é claramente mais interno.

5/10

terça-feira, 3 de abril de 2012

OVNIs Cinematográficos: Kissed



Há umas semanas atrás, chegou à internet um cartaz vindo dos EUA a propósito do filme “Vergonha” de Steve McQueen, tentando demover qualquer pessoa de ver o filme.


Não quero imaginar que tipo de cartaz sairia, se, por um mero acaso, o seu autor tivesse apanhado “Kissed” num cinema perto de si, há 15 anos atrás. Primeira obra da canadiana Lynne Stopkewich, “Kissed” permanecerá para sempre um OVNI obscuro, e a sua temática contribuirá em muito para essa obscuridade. O filme segue Sandra Larson (magnífica Molly Parker), uma rapariga que desde cedo desenvolve uma relação “especial” com a morte dos outros, que a levará eventualmente a querer partilhar mais do que é comum com um corpo morto...


Um dos grandes tr(i)unfos de “Kissed” é nunca impôr um julgamento sobre a sua protagonista e a sua parafilia, adotando quanto muito uma perspetiva pessoal, um olhar de dentro para fora. Para Sandra, conviver com um morto é como “olhar para o sol diretamente sem cegar”, e o filme cedo apropria (convenientemente) imagens mais etéreas aos seus encontros com cadáveres.


“Kissed” merece assim ser descoberto, nem que seja apenas uma vez. Pela sua ousadia, e pela sua capacidade de transformar um tema destes em algo romântico e poético, ora seduzindo, ora perturbando pelo caminho. Quem o vir, não o vai esquecer facilmente, ame ou odeie o produto final. E dificilmente ouvir-se-á “Fumbling Towards Ecstasy” de Sarah McLachlan do mesmo modo, para o melhor ou para o pior.


terça-feira, 20 de março de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

John Maus

ver abaixo e trocar "Visions" por "We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves", 2012 por 2011, primeiro por enésimo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Grimes



A pop eletrónica tem já praticamente quatro décadas, podendo-se atribuir um início à invenção do sintetizador. Dos tempos áureos de Kraftwerk e das colaborações deliciosas entre Giorgio Moroder e Donna Summer até 2012, tivemos já excelentes exemplos dos quatro cantos do mundo. E, com a chegada da era digital, com os instrumentos todos inventados, a grande invenção no género parece recair sobre as possibilidades de mexer com a voz humana, o outro grande instrumento essencial para a arte de fazer (boa) pop eletrónica. A ilusão de um homem/mulher-máquina nunca esteve tão perto.


O
projeto Grimes - fundado pela canadiana Claire Boucher (com apenas 22 anos) - pega nessa premissa. A voz extrema e pouco humana de Claire por si só lembra-nos um pouco Karin Dreijer Andersson (dos The Knife e do projeto paralelo Fever Ray). Mas não se pense que esta é música propriamente gélida... estamos, tal como no caso de Karin, perante um conjunto de canções não só bem orquestradas como nos parecem ainda instintivas, com pulso, capazes de surpreender. E que nos convidam, a cada escuta, a penetrar um pouco mais no seu mundo "chamber-gótico".

Não se tendo ainda a certeza se Grimes serão outro caso de sucesso como os suecos The Knife, ou se permanecem mais obscuros como uns Zeigeist, pode-se ao menos ter a certeza do seguinte: "Visions" é o primeiro álbum de 2012 capaz de abalar as contas finais do ano.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Baú pop: Talk Talk - The Party's Over




Mais um disco que o tempo parece ter esquecido, este primeiro álbum dos Talk Talk, banda que atravessou um dos "makeovers" mais fascinantes que alguém se possa lembrar: de banda "synth pop" de segunda linha até fundadores do género "pós-punk" - com os álbuns "Spirit of Eden" e "Laughing Stock".

"The Party's Over" não abre novos caminhos, é certo, mas é um excelente seguidor de correntes, sendo injustamente criticado por esta colagem e pela sua sonoridade "muito 80s", quando os seus antepassados não reinventaram propriamente a roda. Nomeadamente, e incontornavelmente, surge o nome dos Duran Duran, banda que por sua vez herdou genes dos Japan, e estes de Bowie e Roxy Music... a história da música pop é feita de uma árvore gigante de referências, apre!

A voz melancólica e melodiosa de Mark Hollis começa já aqui a fazer estragos, e sim, a sonoridade é muito presa à época, mas o álbum funciona incrivelmente como um todo coeso (e não só à conta de faixas mais famosas como "Talk Talk") - uma cápsula perfeita do que a música de sintetizadores era capaz de transmitir no melhor dos tempos.

Em suma, tomara que todos os discos pop fossem assim, quer em 1982, quer sobretudo em 2011...
 

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