domingo, 19 de dezembro de 2010

Nostalgia

Há filmes que ultrapassam qualquer critério simplista de avaliação, simplesmente porque foram aqueles que marcaram o nosso crescimento, de tal modo que ainda hoje nos surpreendemos como é que foram/são tão mal encarados. E sempre que dão na televisão, ficamos a vê-los, lembrando-nos exactamente de cada cena, cada gesto, tal foi o que assimilámos. Lembro-me imediatamente de três: "Switch" do recentemente falecido Blake Edwards, "My Girl" com o Macaulay Culkin a beijar uma instantaneamente famosa Anna Chlumsky (um caso gritante de "Onde é que pára...?"), e este "Point of No Return", magnífico remake de "Nikita" de Luc Besson, com uma espectacular banda sonora de Hans Zimmer misturada com temas de Nina Simone (terá sido certamente a primeira vez que ouvi falar dela):

Neste caso, é talvez ainda maior o fascínio, uma vez que da primeira vez que apanhei o filme (antes de ver o original, claro), a gravação tinha parado pouco depois desta cena. E portanto, voltava a rever o filme e a imaginar o que podia acontecer a seguir...

P.S. - existe alguma possibilidade da Bridget Fonda voltar ao ecrã? (e que traga também a tia com ela, já agora) :(


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Música 2010 - II (álbuns)

Principais choques do ano: 

- A presença indirecta de David Guetta no top, via "Flesh Tone" de Kelis. 
- KT Tunstall a virar-se para a música electrónica tribal, em algo que se chamou "nature techno" lol, e a safar-se espectacularmente bem - não tivesse o ano sido o melhor que me lembro (e também o que ouvi mais música), e estaria uns lugares mais acima... 
- Apenas uma mulher no top 5  (Laura Marling em 3º) :D embora no top 30 haja mais mulheres/bandas com mulheres vocalistas que homens (17 vs. 13). 


 
30. Bryan Ferry - Olympia
29. Crystal Castles - Crystal Castles II
28. Diamond Rings - Special Affections
27. Yeasayer - Odd Blood
26. Sufjan Stevens - All Delighted People (EP)
25. John Grant - Queen of Denmark 
24. OMD - History of Modern
23. New Young Pony Club - The Optimist
22. Kelis - Flesh Tone
21. KT Tunstall - Tiger Suit

20. Natalie Merchant - Leave Your Sleep 

19. School of Seven Bells - Disconnect from Desire

18. Charlotte Gainsbourg - IRM

17. Erykah Badu - New Amerykah Part II

16. Scissor Sisters - Night Work

15. Jónsi - Go

14. Janelle Monae - The Archandroid

13. Zola Jesus - Stridulum/Stridulum II

12. Robyn - Body Talk

11. Laurie Anderson - Homeland

10. Beach House - Teen Dream

9. Massive Attack - Heligoland

8. Joanna Newsom - Have One on Me

7. Glasser - Ring

6. Goldfrapp - Head First

5. Hot Chip - One Life Stand

4. Royksopp - Senior

3. Laura Marling - I Speak Because I Can

2. Owen Pallett - Heartland

1. Sufjan Stevens - The Age of Adz

banda sonora: Rachel Portman - Never Let Me Go 

álbum nacional : Deolinda - Dois Selos e um Carimbo (também confesso que foi o único que ouvi com atenção)



domingo, 12 de dezembro de 2010

musica em 2010 - I (faixas)

1. Massive Attack (feat. Hope Sandoval) - Paradise Circus
2. Owen Pallett - E is for Estranged
3. School of Seven Bells - ILU
4. Robyn - Dancing on my Own
5. Crystal Castles - Celestica
6. Bat for Lashes and Beck - Let's Get Lost
7. Sufjan Stevens - I Want to Be Well
8. Scissor Sisters - Invisible Light
9. Laurie Anderson - Another Day in America
10. Laura Marling - Blackberry Stone
 

também magníficas:
 

- Hot Chip - Take it In
- Zola Jesus - Night
- Joanna Newsom - Good Intentions Paving Company
- New Young Pony Club - Stone
- Royksopp - Senior Living
- Goldfrapp - Dreaming
- Kelis - 4th of July (Fireworks)
- Glasser - Apply
- Yeasayer - O.N.E.
- Beach House - Silver Soul
- Natalie Merchant - Nursery Rhyme of Innocence and Experience
- Charlotte Gainsbourg - IRM
- Erykah Badu - Window Seat
- Arcade Fire - Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
 - Deolinda - Não Tenho Mais Razões
- KT Tunstall - Push that Knot Away
- Katie Melua - The Flood
- Janelle Monae - Cold War
- Blonde Redhead - Love or Prison
- Jónsi - Go Do
- James Blake - Limit To Your Love
- OMD - The Right Side? 
- The National - Afraid of Everyone
- The Knife - Colouring of Pigeons
- John Grant - Marz 
- Devo - Fresh
- Sade - Soldier of Love 


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Love

Never Let Me Go - ou o que é (o) ser humano


Ironia das ironias, sinto que não tenho muito tempo. Mas fica aqui a promessa de escrever um testamento todo cheio de adjectivos bonitos e lisonjeadores quando se aproximar mais a data de lançamento do filme. Ou quando me livrar mais da faculdade, o que vier primeiro.

Posso dizer que já não me sentia tão positivamente abalado com um filme sobre a eminência da morte desde "Le Temps Qui Reste" do François Ozon. Posso também dizer que os criticismos seriam mais válidos se partissem de alterações que o filme tem em relação ao igualmente brilhante romance de Kazuo Ishiguro e não algo do género "Porque é que eles não fugiram?". A sério, ugh....(culpo os filmes de Michael Bay e 90% da ficção científica) 

P.S. - Criticar o voiceover final é estúpido, embora compreensível - dada a esmagadora subtileza de muito do que vem atrás, pode-se sentir que é um pouco explicado (certamente um pouco mais explicado que no livro). Whatever. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Filmes esquecidos: Os Amantes de Maria


O realizador russo Andrey Konchalovskiy é hoje em dia um nome completamente desconhecido até para cinéfilos mais atentos. Mas nos anos 80, era um dos nomes promissores da indústria cinematográfica norte-americana. "Runaway Train", "Shy People", "Duet for One"... "Tango & Cash" (eheh)... 

Konchalovskiy mudou-se para os Estados Unidos após aclamação na sua terra natal. "Maria's  Lovers" foi o seu primeiro filme em território americano, e desde cedo se revela algum estrangeirismo (e não é só nas personagens) nesta história de um ex-combatente (John Savage) que volta finalmente à sua terra e se decide casar com o seu eterno amor, a angelicalmente virgem Maria (Nastassja Kinski). Só que o amor que sente por  Maria não consegue ser consumado. 

O filme cruza traumas de guerra e desejo imaginado vs. desejo real, com algum simbolismo que não será propriamente muito subtil e até algum que nem se sabe até onde pode dar (uma rata ensanguentada....hmmmmmm). A imagem de uma cadeira num monte repete-se, lembrando o culminar de um amor, e um desejo não concretizado. Mas Konchalovskiy reune aqui uma sensualidade e erotismo desconcertantes de uma América que já não existe, num contraste curiosíssimo com a premissa do filme, e tem a sorte de ter actores não só para encorporar uma imagem de lúxuria anti-climática como dotados de todo um potencial dramático que empurra o filme para um patamar superior. Impossível não acreditar no amor que estas duas personagens sentem. E impossível não me perguntar o que é que terá acontecido exactamente às carreiras de John Savage e Nastassja Kinski para nunca terem levantado o voo merecido... 



domingo, 7 de novembro de 2010

Os Miúdos Estão Bem - e as mães?


Um dos títulos cinematográficos mais falados do ano foi mostrado em primeira mão ao público português ontem no Estoril Film Festival. "The Kids Are All Right" (em português "Os Miúdos Estão Bem" - vá lá, parece que alteraram o título anterior "Os Miúdos Estão na Boa"....) merece de facto todos os
elogios que se têm colocado. E não só por ser uma história de uma família nada convencional. Aliás, esse acaba por ser um elemento que vai aos poucos sendo normalizado - há aqui uma noção de chegar às massas que não denegride de todo o produto final. 

As duas mães, interpretadas por duas actrizes no topo das suas carreiras (Annette Bening e Julianne Moore), e os seus dois filhos, cada um concebidos com o (bom) esperma de Mark Ruffalo, formam afinal uma família bastante unida... pelo menos até ao dia em que mais um elemento entra nas suas vidas e começa a destabilizar. Uma histórica tipicamente americana, tipicamente humana, com o toque extra de humanidade e tacto que raramente se viu no ecrã nestas circunstâncias. As situações que o filme vai colocando são hilariantes e gritam por atenção, mas não da forma gratuita que nos vamos habituando a ver. O filme acaba por merecer as gargalhadas, e as personagens que as ocupam. E quanto às "peripécias" que vão surgindo e à resolução que o filme vai tomando, talvez o possível grande ataque que vai tendo dos poucos detractores, basta dizer que não me pareceram de todo forçadas, pelo menos não tão forçadas como qualquer "affair" que se veja no dia-a-dia...  a sexualidade humana é assim manhosa, afinal de contas.

A disfuncionalidade familiar revê-se agora num novo paradigma. Duas lésbicas também têm sexo (por vezes com os estímulos mais confusos). E também acabam por não tê-lo, na altura em que deviam ter. E também têm problemas maritais, como consequência disso. Quem diria... "The Kids Are All Right" não só é um melhores filmes de 2010 como sociologicamente cronica uma nova etapa de evolução humana no grande ecrã, à imagem do que um pequeno título como "Guess Who's Coming to Dinner" anunciava em 1967.  

 

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